• quarta-feira, 25 fevereiro 2026
Geely Xingyuan: o carro elétrico barato que está superando BYD e Tesla na China

Geely Xingyuan: o carro elétrico barato que está superando BYD e Tesla na China

 

Novo carro elétrico da Geely já vende mais que Tesla Model Y e BYD Seagull.

 

 Um novo carro elétrico vem chamando atenção e movimentando fortemente o mercado automotivo da China — em um ritmo que já começa a incomodar gigantes como BYD e Tesla.

Lançado em outubro do ano passado, o Geely Xingyuan, um hatchback elétrico compacto, rapidamente se transformou em um fenômeno de vendas. O modelo pertence à Geely Auto, grupo que também controla marcas globais como Volvo, Polestar e Zeekr.

Em poucos meses no mercado, o Xingyuan conquistou números impressionantes. No primeiro semestre deste ano, ele superou concorrentes de peso como o BYD Seagull e até o Tesla Model Y, tornando-se o veículo elétrico mais vendido da China no período, com mais de 200 mil unidades comercializadas.

O avanço não parou por aí. Entre janeiro e novembro, as vendas acumuladas do Xingyuan chegaram a quase 430 mil unidades, colocando o modelo no topo do ranking nacional de elétricos — à frente de qualquer outro EV disponível no país.

O sucesso levanta uma pergunta inevitável: o que explica o crescimento tão acelerado desse novo elétrico chinês?

 

 

Um dos principais motivos por trás do sucesso do Xingyuan é a proposta de custo-benefício extremamente agressiva — mesmo quando comparado a outros elétricos chineses conhecidos pela acessibilidade, como o BYD Seagull, que por anos dominou esse segmento.

O Geely Xingyuan ano-modelo 2026 parte de um preço em torno de US$ 9.700 (aproximadamente 68.800 yuans), chegando a cerca de US$ 12.340 na versão mais completa. Essa faixa o coloca diretamente em disputa com o Seagull, mas oferecendo um pacote que, segundo avaliações locais, entrega mais tecnologia, melhor aproveitamento de espaço interno e acabamento superior para a categoria.

Mesmo sendo um carro de entrada, o modelo traz recursos de software avançados, bom nível de materiais no interior e um projeto claramente pensado para ir além do básico — algo que não é comum nem mesmo entre elétricos baratos na China.

O Xingyuan utiliza a SEA-E (Sustainable Experience Architecture – Entry), plataforma elétrica dedicada da Geely para veículos acessíveis. Ele é equipado com duas opções de bateria LFP (fosfato de ferro-lítio) fornecidas pela CATL: uma de 30 kWh e outra de 40 kWh.

A versão de menor capacidade entrega autonomia estimada de 310 km, enquanto a bateria maior alcança até 410 km, segundo o ciclo de testes chinês CLTC — conhecido por apresentar números mais otimistas do que padrões como o EPA norte-americano. Na prática, a autonomia real tende a ser um pouco menor.

Ainda assim, esse fator pesa menos no mercado chinês. O país possui atualmente a maior infraestrutura de recarga do mundo, o que torna veículos elétricos de menor alcance muito mais viáveis no dia a dia. Estimativas indicam que já existe cerca de um carregador para cada 2,5 carros, com uma rede que ultrapassa 16 milhões de pontos de conexão, a maioria em uso privado.

Curiosamente, a chamada “ansiedade de autonomia” começa a afetar mais os donos de carros a combustão do que os de elétricos. A rede de postos de gasolina na China vem encolhendo, e milhares devem encerrar as atividades até o fim da década.

Outro diferencial importante do Xingyuan está na parte estrutural. Diferente da maioria dos compactos acessíveis, ele utiliza tração traseira e conta com suspensão traseira independente, proporcionando uma condução mais refinada. Isso contrasta com rivais como o BYD Seagull, que usa tração dianteira e suspensão traseira por eixo de torção, uma solução mais simples.

O modelo também herda o sistema de cockpit inteligente Flyme Auto, presente em veículos Geely de categorias superiores. O conjunto inclui uma central multimídia de 14,1 polegadas, painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, além de um bom espaço para bagagens: são 375 litros no porta-malas e mais 70 litros no compartimento frontal (frunk) — volume total superior ao de carros bem maiores, como o Volkswagen Golf.

Claro, alguns cortes foram feitos para manter o preço competitivo. O Xingyuan não possui limpador traseiro, os limpadores dianteiros não são automáticos e o ar-condicionado é manual. Ainda assim, esses detalhes acabam sendo secundários diante do conjunto geral oferecido.

Os números confirmam o acerto da estratégia. Em cerca de 14 meses desde o lançamento, ocorrido em outubro de 2024, a Geely já ultrapassou a marca de 500 mil unidades vendidas do hatchback elétrico. No acumulado dos três primeiros trimestres do ano, o Xingyuan figurou como o terceiro EV mais vendido do mundo, atrás apenas dos Tesla Model Y e Model 3.

Se o ritmo atual for mantido até o fim do ano, o modelo não só deve liderar as vendas de elétricos na China, como também pode ameaçar a segunda posição global do Model 3 — especialmente diante da desaceleração esperada no mercado norte-americano.