• quarta-feira, 25 fevereiro 2026
China já usa carros elétricos como fonte de energia para residências em momentos de pico

China já usa carros elétricos como fonte de energia para residências em momentos de pico

A China voltou a sair na frente quando o assunto é mobilidade elétrica e gestão de energia. Com uma frota gigantesca de veículos eletrificados circulando pelas ruas, o país passou a utilizar carros elétricos como apoio direto à rede elétrica, transformando-os em verdadeiras baterias móveis para residências e cidades inteiras.

Atualmente, os veículos elétricos já representam cerca de 10% de toda a frota chinesa, um número que ajuda a explicar por que o país consegue implementar soluções em escala que ainda parecem distantes para o restante do mundo.


Carros elétricos integrados à rede elétrica nacional

A estratégia chinesa envolve uma ampla rede de estações de carregamento bidirecionais, capazes não apenas de recarregar os veículos conectados, mas também de retirar energia de suas baterias para redistribuí-la à rede elétrica em momentos de alta demanda ou risco de sobrecarga.

Essa tecnologia, conhecida como V2G (Vehicle-to-Grid), permite que os carros elétricos funcionem como um grande sistema descentralizado de armazenamento de energia, ajudando a equilibrar o consumo em horários críticos.


Proprietários são pagos para fornecer energia

Na prática, o proprietário pode deixar o carro conectado por várias horas e vender a energia armazenada na bateria. Em algumas regiões da China, a remuneração chega a valores que chamam atenção.

Relatos da imprensa local indicam ganhos de até US$ 200 por mês apenas com a participação no sistema. Em um caso específico, um motorista afirmou ter recebido quase US$ 200 em apenas dois dias, valor equivalente a um ano inteiro de recarga residencial.


Expansão acelerada levanta dúvidas sobre sustentabilidade

Apesar do sucesso inicial, especialistas alertam que esse modelo pode enfrentar desafios no longo prazo. Hoje, a China conta com aproximadamente 35 milhões de veículos elétricos em circulação, número que tende a crescer rapidamente.

Manter uma remuneração elevada para milhões de usuários pode se tornar financeiramente inviável à medida que o sistema se expande, exigindo ajustes no modelo econômico.


V2G também avança na Europa, mas em ritmo diferente

Na Europa, a tecnologia V2G começa a ganhar espaço em alguns mercados, com destaque para modelos como o Renault 5 elétrico. Fabricantes e operadoras de energia oferecem incentivos para motoristas que aceitam participar do sistema, embora em escala muito menor do que a chinesa.

A União Europeia já determinou que, a partir de 2027, todas as novas estações de carregamento instaladas deverão ser compatíveis com V2G. Ainda assim, permanece a dúvida sobre como os usuários serão remunerados e se o modelo será atrativo sem subsídios robustos.


Subsídios hoje, novo modelo amanhã

O diferencial da China está na sua política industrial de longo prazo. O governo costuma investir pesado em tecnologias emergentes para acelerar a adoção em massa, mesmo que isso exija subsídios elevados nos primeiros anos.

A expectativa é que, após a consolidação da infraestrutura — com mais de 5 mil estações V2G planejadas —, o país migre para um modelo econômico mais sustentável, reduzindo gradualmente os incentivos diretos.


Uma aposta ousada no futuro da energia

Transformar carros elétricos em aliados da rede elétrica é uma estratégia ambiciosa e arriscada, mas alinhada à forma como a China conduz sua política industrial. Se bem-sucedida, a iniciativa pode redefinir o papel do veículo elétrico, que deixa de ser apenas um meio de transporte para se tornar um elemento ativo do sistema energético nacional.

Ainda é cedo para afirmar se o modelo será sustentável a longo prazo, mas uma coisa é certa: a China segue ditando o ritmo da transição energética global.